Crónica XI: Jesus Cristo bebia cerveja, de Afonso Cruz

O Ismael, cronista habitual das sessões dos Salta-pocinhas oferece novamente uma visão do que os clubistas opinaram na última reunião.

Hoje falamos de Jesus Cristo bebia cerveja, de Afonso Cruz.

Olhem, há spoilers!

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A obra

É difícil para mim fazer a crónica dum livro que não me prendeu como a quase todos os meus colegas do clube. (Ainda bem que não todos gostamos de amarelo.)

Gostamos do título e do antagonismo entre a Cerveja e o Vinho:

“O vinho era uma bebida de romanos, dos invasores. Cristo não iria beber a bebida dos ricos, mas a dos pobres, das putas e dos pecadores”.

O espaço onde  se situa o livro é o Alentejo português. Um Espaço que lembra o filme “Paris, Texas”, um espaço desértico de silêncio e o nada.

Esse espaço desértico também produz personagens excêntricos e esquisitos, coma a milionária inglesa que dorme dentro duma baleia, ou o próprio professor Borja que desafia a brancura dos muros, o pastor… e claro, a protagonista, Rosa uma menina atraente e peluda como um macaco.

Rosa, a protagonista, é uma mulher ignorante, uma mulher objeto e carnal no vértice dum triângulo amoroso. Esse Alentejo bem poderia ter sido a Castilla a la Mancha de “Amanece que no es poco”, o grande filme de José Luis Cuerda.

Eu achei desapontante a falta de trama e o exceso de personagens. A mãe de Rosa, ora puta ora virgem, ou o brutamontes do  pai de Rosa foram das personagens mais interessantes do livro e desaparecem logo nos inícios.

A trama principal: a transformaçao duma aldeia do Alentejo em Jerusalem não aparece até a metade do livro, ficando nos perdidos no realismo mágico do Alentejo. Porém tambén é uma estória crua e dura que alguém subtitulou como “Biografía duma Puta”

Conclusão

Jesus Cristo bebia cerveja não foi uma leitura muito desfrutada pelos clubistas, mas a reunião dou para falar de que se esperava.

Temos nova crônica!

Eis uma nova crónica!

Podem ler as impresões gerais do Clube sob a novela Leite Derramado  no blogue.

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Se tiverem dificuldade em achar as obras de leitura, após a X sessão o Clube vai ler Jesuscristo bebia cerveja, de Afonso Cruz. 

Crónica 6ª sessão

A novela portuguesa Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco, teve uma boa acolhida entre os leitores do Clube.



Entre os aspetos mais interessantes do livro destacam-se: a descrição do convento, a vida das freiras e como elas se relacionavam. Também o modelo de amonestação de justiza, que não difere muito do modelo atual. O facto de a força do amor ser mais produto da mente do que real. E por último a descrição da mai do Simão quando chega a casa de Vila do Conde.


 

Crónica 4ª sessão

Com algo de demora temos já preparada a crónica sob a quarta leitura do clube: a máquina de fazer espanhóis, de valter hugo mãe. Eis lá:

No fim de abril fomos convidados pela Escola de Idiomas de Santiago a uma conversa informal com a autora Isabela Figueiredo. Começamos falando dum livro que já tínhamos lido no clube: Caderno de memórias coloniais. Este livro trata os temas da guerra colonial e os retornados dum jeito privado e íntimo. O olhar duma criança relata numa linguagem crua um momento da história de Portugal que não só é incómodo para os Portugueses mas também para os Angolanos. O Pai, o grande protagonista do caderno, tinha morrido há pouco tempo e todo o livro é um acto de amor e reconciliação. Passamos a falar depois do novo livro da autora, A gorda. Uma transgressora história de amor que também trata num jogo de esconde e mostra as difíceis relações entre Mãe e Filha.

Após a conversa fomos tomar um cafezinho e falamos da obra que andávamos a ler: a máquina de fazer espanhóis (valter hugo mãe). As opiniões do livro estiveram divididas, 3 pessoas não gostaram e 4 gostaram.

A temática, a vida dos idosos no Lar da Feliz Idade, não é fácil e provoca uma sensação de “desacougo”. O protagonista é levado traumaticamente após a morte da sua mulher a um lar de idosos. Trás uns primeiros dias difíceis o protagonista abre-se à vida do lar descobrindo a amizade no fim da sua vida. No Lar o tempo não  anda, a realidade misturasse com delírios e sonos. As personagens lembram a sua vida nos duros tempos do fascismo, namoram, zanganse e como todos os velhos falam da saúde. Ficamos surpreendidos de que o autor, uma pessoa nova, seja capaz de mesmo estar na mente dum idoso. Um espanhol que quer ser português teme no seu delírio a máquina de fazer espanhóis, dando título ao livro. Outras máquinas como a de tirar a metafísica aparecem também nos delírios das personagens. Por último, procuramos com grande prazer a frase exacta que da nome a cada capítulo.

Lembrem que amanhã, dia 7 de julho, o Clube junta-se no Itatti às 20 horas para uma nova sessão de debate, esta vez da novela portuguesa Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco

Feliz leitura 🙂